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Ninguém é racional — ainda bem

Um dia, numa aula de gestão de risco em Harvard, o professor David Bell ofereceu dinheiro para quem aceitasse provar de uma cumbuca com 100 balas de açúcar. Detalhe: uma das balas continha cianureto também. Você tomaria uma bala? E por quanto? As respostas variaram, mas só uns poucos deram números, e todos muito altos. É claro que tudo era apenas um experimento, mas a ideia era clara: certos riscos são tão extremos que se tornam inaceitáveis, e não há dinheiro que pague certas decisões, por mais racionais que sejam. Afinal, era só dividir por 100 seu objetivo máximo de riqueza (10 milhões de dólares, por exemplo) e cobrar esse valor para aceitar um risco de morte de um por cento. Mesmo assim, a maioria preferiu a paz de espírito.

Outra coisa que me marcou foi a história de um sujeito chamado Phineas Gage, que perdeu num acidente a parte do cérebro responsável pelas emoções e passou a tomar decisões baseadas unicamente na razão — com os piores resultados. O neurocientista Antonio Damasio estudou o caso desse precursor do Sr Spock e chegou à conclusão de que pensar e sentir são indissociáveis. Em outras palavras, o ser humano toma decisões baseado necessariamente na razão e na emoção, e pelo visto é bom que seja assim.

Mais recentemente, um doutor em psicologia e administração chamado Dan Ariely ficou famoso com seu excelente livro Previsivelmente Irracional. Nele, ficam claros vários exemplos de decisões diárias que não fazem sentido à luz da razão e mostram o quanto somos sujeitos a preconceitos, vieses de raciocínio e impulsos aparentemente inexplicáveis em situações onde uma simples equação poderia resolver o problema.

Ariely cita como seu grande influenciador o psicólogo e economista Daniel Kahneman, papa da chamada Economia Comportamental. Trata-se de um ramo que procura entender as decisões econômicas através dos processos cognitivos, com todos os seus atalhos, erros de percepção e vieses. Não por acaso, a Teoria do Prospecto, que valeu a Kahneman o Nobel de Economia em 2002, acaba explicando muitas opções (anti) econômicas que todos nós escolhemos em nosso cotidiano.

Mas afinal, não seria melhor se desvencilhar de nossas traiçoeiras emoções e sempre procurar o caminho mais racional e matematicamente justificável? Sim e não.

É claro que um bom conhecimento dos princípios econômicos previne erros básicos e leva a resultados melhores na maioria das vezes. Isso vale tanto para governantes que teimam em desafiar a lógica e resolver problemas por decreto como para investidores que compram ideias mirabolantes sem analisar o risco que correm. Usar a razão é fundamental, e estudar economia é sempre o melhor ponto de partida para se tomar boas decisões.

Mas não é suficiente. É importante conhecer suas próprias características pessoais, principalmente as que influenciam suas decisões mais significativas. Por exemplo, você é dos que fazem questão de comprar seguro para todos os seus bens? Você por acaso considera as bolsas de valores como antros de jogatina e só acredita na segurança de títulos bancários? Ou você está sempre à procura daquele produto mágico que vai multiplicar seu dinheiro da noite para o dia?

As respostas para essas perguntas são necessárias por um motivo simples. São elas que irão determinar o grau de satisfação que você terá com seus investimentos, ou, em outras palavras, como será a qualidade de seu sono após suas decisões financeiras. Quem dorme bem com renda variável na carteira não fica ansioso com alterações de preço no curto prazo e mantém sua posição mesmo em épocas instáveis. Da mesma forma, quem dorme bem com aplicações em renda fixa não deve ir atrás de promessas de lucro rápido.

Portanto, o melhor aprendizado é sempre duplo: conhecer a economia, o mercado e seus produtos e características — a parte objetiva e racional —, e conhecer a si mesmo, sua aversão ou propensão ao risco e os componentes emocionais de suas decisões pessoais — a parte subjetiva e irracional. É dessa soma que virão seus melhores investimentos.

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